terça-feira, 17 de julho de 2012

Não poderia abrir meu blog de outra maneira senão postando a mais bela poesia que já li e que me fez adentrar ao mundo indescritível da Poesia. Apresento-lhes, do meu Machado.

O Poeta
                                                  

Guarda estes versos que escrevi chorando
Como um alivio à minha soledade,
Como um dever do meu amor, e quando
Houver em ti um eco de saudade
Beija estes versos que escrevi chorando.

Único em meio das paixões vulgares
Fui a teus pés queimar minh`alma ansiosa,
Como se queima o óleo ante os altares;
Tive a paixão indômita e fogosa,
Única em meio das paixões vulgares.
Cheio de amor, vazio de esperança,
Dei para ti os meus primeiros passos
Minha ilusão fez-me talvez, criança;
E eu pretendi dormir aos teus abraços,
Cheio de amor, vazio de esperança.
Refugiado à sombra do mistério
Pude cantar meu hino doloroso:
E o mundo ouviu o som doce ou funéreo
Sem conhecer o coração ansioso
Refugiado à sombra do mistério.
Mas eu que posso contra a sorte esquiva?
Vejo que em teus olhares de princesa
Transluz uma alma ardente e compassiva
Capaz de reanimar minha incerteza
Mas eu que posso contra a sorte esquiva?
Como um réu indefeso e abandonado
Fatalidade, curvo-me ao teu gesto;
E se a perseguição me tem cansado.
Embora, escutarei o teu aresto.
Como um réu indefeso e abandonado,
Embora fujas aos meus olhos tristes
Minh’alma irá saudosa, enamorada
Acercar-se de ti lá onde existes
Ouvirás minha lira apaixonada,
Embora fujas aos meus olhos tristes,
Talvez um dia meu amor se extinga,
Como fogo de Vesta mal cuidado,
Que sem o zelo da Vestal não vinga;
Na ausência e no silêncio condenado
Talvez um dia meu amor se extinga,
Então não busques reavivar a chama.
Evoca apenas a lembrança casta
Do fundo amor daquele que não ama
Esta consolação apenas basta;
Então não busques reavivar a chama.
Guarda estes versos que escrevi chorando
Como um alívio à minha soledade,
Como um dever do meu amor; e quando
Houver em ti um eco de saudade
Beija estes versos que escrevi chorando.